jornal-peruibe-merenda-escolar-sem-nutrientes-peruibe

DENÚNCIA : MERENDAS DAS ESCOLAS ESTÃO LONGE DE ATENDER NECESSIDADES NUTRICIONAIS!

Um relatório encomendado pela Comissão Pró-Índio, organização não-governamental que realiza trabalho junto às comunidades indígenas revela que a merenda fornecida às escolas da aldeia Piaçaguera, em Peruíbe, não atende as necessidades nutricionais dos estudantes e as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). O cardápio elaborado pelo nutricionista responsável pelo setor diverge da realidade encontrada pelas merendeiras diariamente. O problema também pode estar presente nas demais unidades educacionais do município.

“Temos trabalhado a questão da alimentação escolar por meio de conversas com os índios e as merendeiras. Decidimos enviar um técnico para fazer essa avaliação, pois depois das férias a situação piorou muito e a prefeitura disse não ter verba. Observamos que, além de não estar respeitando o contexto cultural e nutricional, há algo mais sério que é o que está colocado no cardápio oficial não ser a realidade”, disse Otávio de Camargo Penteado, assessor de programas da Comissão Pró-Índio.

De acordo com o relatório, o café da manhã oferecido aos estudantes não supriu o mínimo de 30% das necessidades nutricionais. Na faixa etária de 11 a 15 anos a alimentação não atende metade da quantidade calórica necessária. “Essa inadequação pode prejudicar o crescimento e o desenvolvimento biopsicossocial, a aprendizagem, o rendimento escolar dos alunos. Dessa forma, o PNAE não cumpre com o seu objetivo”, escreveu a nutricionista responsável pela análise.

Frutas

Segundo o documento da Comissão Pró-Índio, a oferta mínima de frutas e hortaliças por semana, estabelecida pelo PNAE, se mostrou adequada com base na avaliação do cardápio elaborado pelo nutricionista responsável. No entanto, o cardápio realizado nos dias da visita foi outro – adaptado devido à falta de alimentos. Com relação ao almoço, na avaliação, o mesmo não atingiu a recomendação de fibras, vitaminas e alguns minerais. Ao contrário do café da manhã foi ofertada uma quantidade maior de energia e macronutrientes em relação à recomendação. Para as crianças de 6 a 10 anos a quantidade de calorias oferecida foi consideravelmente maior.

“Uma oferta maior de macronutrientes e calorias pode contribuir para o excesso de peso e ­desenvolvimento de doenças associadas como diabetes e dislipidemias. A quantidade média de gorduras totais nas preparações diárias foi inadequada para os alunos de 11 a 15 anos”, destacou a nutricionista.

Embutidos. A quantidade de sódio encontrada – média de 1.177,5 mg per capita por dia – foi quase duas vezes maior que a recomendação máxima, que é de 600 mg. Embutidos e frangos empanados congelados, alimentos ricos em gordura e sal, são os principais acompanhamentos encaminhados às escolas.

“O cardápio destes dias não condiz com o planejado pelo nutricionista técnico responsável, já que muitos dos alimentos não haviam sido entregues nas escolas. As escolas tiveram que adaptar o cardápio com os alimentos disponíveis. Essa diferença entre o que o cardápio planejado estabelece e o que realmente é servido representa uma irregularidade no cumprimento das normas do PNAE, uma vez que não cumpre com o atendimento às necessidades nutricionais dos alunos, não há oferta de frutas e hortaliças e há uma oferta maior de industrializados”, ressaltou a profissional.

O relatório foi produzido por meio de avaliações feitas em dois dias, um na escola Piaçaguera e outro na escola Nhamandu, ambas na aldeia Piaçaguera. Procurada, a Prefeitura de Peruíbe não se manifestou sobre o assunto.

Situação piorou no segundo semestre

Há pouco mais de um ano, um Grupo de Trabalho (GT) foi formado após reunião realizada na Aldeia Piaçaguera para tratar da introdução de alimentos tradicionais no cardápio. Participaram do encontro representantes da Prefeitura, Secretaria Estadual da Educação e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), responsável pelo repasse dos recursos destinados à compra da merenda escolar. Porém, pouca coisa mudou.

“Não chega a faltar alimento aqui, mas a gente sabe que tem escola que nem merenda chega. Piorou depois que voltou das férias. A Cheff Gril diz que não tem verba para cumprir o cardápio. Manda linguiça, frango empanado congelado, salsicha. Fruta não vem. De vez em quando uma melancia. Não adianta mais reclamar na prefeitura. O jeito agora é esperar o novo governo entrar para nos reunirmos novamente com os representantes da prefeitura para resolver”, destacou Fabíola dos Santos, vice-diretora da Escola Piaçaguera. A Cheff Gril é a empresa terceirizada responsável pela alimentação escolar no município de Peruíbe.

Legislação

A Lei nacional 11.947, de 16 de junho de 2009, que dispõe sobre as diretrizes da alimentação escolar prevê o emprego da alimentação saudável e adequada, compreendendo o uso de alimentos variados, seguros, que respeitem a cultura, as tradições e os hábitos alimentares saudáveis, contribuindo para o crescimento e o desenvolvimento dos alunos e para a ­melhoria do rendimento escolar. A legislação ­também estabelece o apoio ao desenvolvimento sustentável, com incentivos para a ­aquisição de gêneros alimentícios diversificados, produzidos em âmbito local e preferencialmente pela agricultura familiar e pelos empreendedores familiares rurais, priorizando as comunidades tradicionais indígenas e de remanescentes de quilombos.

Quer acompanhar todas as noticias que acontecem em Peruíbe? Curta nossa página no Facebook

JORNAL PERUÍBE: Uma viagem pela terra da “Eterna Juventude”…

Fonte;http://www.diariodolitoral.com.br/cotidiano/merenda-de-peruibe-nao-atende-meta-nutricional/92125/ foto ilustrativa

2 ideias sobre “DENÚNCIA : MERENDAS DAS ESCOLAS ESTÃO LONGE DE ATENDER NECESSIDADES NUTRICIONAIS!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *