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CONSTRUÇÃO DE USINA TERMELÉTRICA NA CIDADE, DEIXA AMBIENTALISTAS PREOCUPADOS! CONFIRA

O projeto para construção de uma usina termelétrica em Peruíbe, no litoral de São Paulo, e um terminal offshore de recebimento de gás natural com um navio fundeado a 10 km da costa do município têm evoluído nos últimos anos. Apesar de o projeto ainda estar em fase de licenciamento ambiental, ONGs e grupos ligados ao meio ambiente já demonstraram insegurança na iniciativa. Especialistas alertam para a quantidade de gases que serão lançados na atmosfera e temem a piora na qualidade do ar.

A expectativa dos empresários da Gastrading Comercializadora de Energia S.A, empresa interessada na construção, é que a ‘Usina Termelétrica Atlântico Energias’ – UTE seja instalada no entorno do Jardim São Francisco e Caraminguava e tenha capacidade de 1,7 GW para fornecer energia para as nove cidades da Baixada Santista. Segundo dados do IBGE, a região possui atualmente 1.781.620 moradores.

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Se concretizada, a UTE Atlântico seria a segunda usina termelétrica desse tipo na região. A primeira é a Euzébio Rocha, operada pela Petrobras, em Cubatão, cuja capacidade instalada é de 216 MW, suficiente para abastecer um município de cerca de 800 mil habitantes.

O receio por parte de ambientalistas existe já que a última lembrança de um grande empreendimento no município, que possui aldeias indígenas, está na encosta da Serra do Mar e possui a maior parte da Estação Ecológica Juréia Itatins, remete ao Porto Brasil. A intenção do grupo liderado pelo empresário Eike Batista, na época [meados de 2008], era construir o Porto próximo à rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP-55) nas proximidades de uma reserva indígena em Peruíbe. A LLX desistiu oficialmente do projeto em 2014 após esbarrar em uma série de entraves ambientais.

Gerente de projetos da Gastrading, Paulo Guardado, afirma que os empreendimentos são distintos, apesar que a UTE também deve ‘cortar’ a rodovia Padre Manoel da Nóbrega. “A gente sabia desde o começo da comparação e do trabalho de desfazê-la. Não há similaridade no projeto. Aquele do Eike era muito grande, em cima de uma reserva, com uma retro área enorme, três berços e dragagem. O nosso é pequeno. A termelétrica vai ocupar 30 hectares, sem uma retro área grande”, explica.

Guardado acrescenta ainda que o terminal offshore ficaria distante 10 km costa e praticamente invisível. “Provavelmente nem vai se ver da praia, muito menos haverá interferência na praia, já que não haverá ponte ou píer, apenas um gasoduto que passa por baixo da praia  e não vai aparecer. É similar ao que existe em Praia Grande. Tem gasoduto lá e ninguém sabe porque ninguém vê. Se faz com um furo direcional com um impacto pequeno durante a obra, depois você recompõe, ou seja, não atrapalha a população”, garante o executivo.

 

jornal peruibe usina termeletrica gas poluicao natureza gasoduto peruibe2Além de Peruíbe, pelo menos mais cinco cidades da região seriam afetadas pelo empreendimento com a passagem de uma “Linha de Transmissão” de cerca de 90 km de extensão, atravessando os municípios de Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande, São Vicente e Cubatão, onde está localizada a subestação da Baixada Santista. O ponto é integrado ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Veja mais detalhes no parecer técnico abaixo.

 

Um parecer técnico da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), órgão ligado à secretaria de Meio Ambiente do Estado, datado de 5 de setembro do ano passado, já concluiu que, de acordo com o Termo de Referência apresentado, o empreendimento percorrerá áreas indígenas e de proteção ambiental.

“O empreendimento percorrerá a zona de amortecimento do Parque Estadual da Serra do Mar e do Parque Estadual Xixová – Japuí, bem como o território da Área de Proteção Ambiental – APA Marinha Litoral Centro. Percorrerá, ainda, Área Natural Tombada e Terras Indígenas e/ou seu entorno, tendo em vista que a Usina Termelétrica está a aproximadamente 4,7 km da terra indígena Piaçaguera; a linha de transmissão percorrerá o entorno das áreas indígenas Piaçaguera, Itaóca, Guarani do Aguapeu e Rio Branco, e o gasoduto de distribuição percorrerá a terra indígena Piaçaguera”.

Funai
Entramos em contato com a Fundação Nacional do Índio (Funai), que informou “não ter sido consultada até o momento sobre o empreendimento citado”.

Cetesb
Já a Cetesb disse que o projeto está em “processo de licenciamento” e que até o momento só foi “emitido o Termo de Referência, para elaboração de Estudo de Impacto Ambiental EIA-RIMA”.

Ibama
Também por meio de nota assinada pelo analista ambiental Vilson José Naliato, o Ibama disse que o empreendimento está em fase inicial de licenciamento, ainda sem conclusão dos estudos ou relatórios, nem manifestação conclusiva do Ibama.

Desde 2011
Apesar dos entraves para investimentos na região justamente pela dificuldade de área livre e questões ambientais, o executivo da Gastrading garante que a empresa tem feito todo processo de maneira adequada e dentro do plano Econômico e Ecológico da Baixada.

“Foi um trabalho começou em 2011 procurando área, mas há muitos problemas na Baixada por área contaminada, ambiental e bacias aéreas. Economicamente o melhor lugar seria em Santos ou Cubatão, mas é difícil achar uma área boa. Essa de Peruíbe já estava no Zoneamento Ambiental da Baixada como uma área industrial. Ela já tinha o zoneamento industrial”, explica Guardado.

“Muita gente confunde com a área do Eike (Porto Brasil), mas não tem nada a ver. Lá era em cima de uma reserva indígena e nós estamos há quase 5 km daquele área, em um espaço que já havia sido designado no zoneamento Econômico e Ecológico, atendendo todos os requisitos”, garante o executivo.

 

Prefeito mantém cautela
Já o prefeito de Peruíbe, Luiz Maurício (PSDB), prefere manter cautela sobre o tema. Ele afirmou que já tinha conhecimento do projeto antes de assumir a administração, mas que só foi “apresentado” oficialmente há algumas semanas.

“Preocupação é lógico que existem em relação a impactos e um eventual crescimento e desorganização que podem afetar a situação do município, mas por outro lado temos que pensar no desenvolvimento e geração de renda. A posição da prefeitura é aguardar as audiências públicas com dados oficiais. É importante ressaltar que se trata de um projeto privado sem uso de área pública e que atende os requisitos das Leis Municipais, não dependendo do município alguma alteração”

Riscos ao meio ambiente
Especialista, o professor de Química, pós-graduado em Biologia Química pela USP e mestre em Ciências pela Unifesp, Murillo Consolli Mecchi, pondera o desenvolvimento da região com os possíveis impactos ambientais que a UTE poderia trazer ao município de Peruíbe.

“Essas unidades geram energia por meio da combustão de alguma substância (renovável ou não renovável), no caso de Peruíbe, é um fonte não renovável que é o gás natural. A queima do gás natural favorece, e muito, no efeito estufa e chuva ácida, pois a queima libera diversos gases prejudiciais. Estima-se hoje que com a utilização de usinas termelétricas no Brasil aumentaria em até quatro vezes a quantidade de gases lançados na atmosfera. É um preço alto que se paga para o crescimento e desenvolvimento da região”, aponta o professor.

O presidente da ONG Mongue Proteção ao Sistema Costeiro, Plínio Melo, que atua há 15 anos no município, segue a mesma linha do professor. Melo tem acompanhado a evolução do projeto junto à Cetesb e teme o desconhecimento da população e os riscos ao ecossistema local. “É um projeto de grande risco ambiental, a exemplo do Porto Brasil, defendido pela classe política e empresários da nossa cidade. É um empreendimento de 180 hectares que cortará a cidade com um imenso gasoduto terrestre marítimo”

 

 

jornal peruibe usina termeletrica gas poluicao natureza gasoduto peruibe3ONDE VAI FICAR?
O projeto prevê que a área da UTE ‘corte’ a rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP) na região chamada “Distrito Canadá” (entorno do Jardim São Francisco e Caraminguava), próximo ao aterro sanitário do município. A região é distante cerca de 4,7 km da reserva indígena Piaçaguera e a Gastrading seria a primeira empresa a a ocupar a área.

FASE ATUAL
A UTE Atlântico está em fase de licenciamento ambiental. A previsão é de protocolar os estudos de impacto ambiental na Cetesb ainda no mês de fevereiro. Na sequência, serão realizadas as audiências públicas para discutir o tema com os moradores.

INVESTIMENTO
O executivo não revelou valores, mas disse que o montante com os terminais de importação corresponde a “centenas de milhões de dólares”. Segundo apurado  o investimento no projeto deve alcançar R$ 4 bilhões. A empresa estima que durante a fase de obras sejam gerados até 2 mil emprego e até 350 durante a operação da unidade.

OBRAS E INSTALAÇÃO
A Gastragind espera espera entrar em um leilão de energia em 2018. “O projeto é competitivo e estaremos no região do maior expoente de carga do país, num lugar que precisa de energia. São Paulo é um importador de energia. E também tem necessidade de uma outra fonte de gás. Com o leilão em 2018, a obra teria início em 2019 e até 3 anos para operar com o gasoduto podendo entrar antes”, explicou Paulo Guardado.

PREOCUPAÇÃO COM POLUENTES
Segundo o executivo da empresa, a térmica prevista para o litoral paulista atende o que há de mais moderno e eficiente no mundo, além dos padrões das Leis Federal e Estadual. “A Cetesb é mais restritiva até que o ibama. Ela tem várias normas dela e a gente está atendendo a tudo, com estudo de emissões, decreto de bacias aéreas, por exemplo. É claro que é um empreendimento de geração de energia, mas é o melhor que temos. Como se trata de algo mais moderno é mais eficiente e com menos emissões”.

TERMINAL OFFSHORE
Um navio ficaria fundeado a cerca de 10 km da costa de Peruíbe, próximo à Ilha da Queimada Pequena, onde estão previstas instalações de transferência de Gás Natural Liquefeito (GNL) para um navio do tipo Floating Storage Regasification Unit (FSRU). Não há construção de ponte ou píer com acesso à praia, por exemplo.

E você, o que acha desse novo empreendimento em nossa cidade?

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JORNAL PERUÍBE: Uma viagem pela terra da “Eterna Juventude”…

Fonte;http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2017/02/peruibe-sp-pode-ter-termeletrica-para-abastecer-quase-2-mi-de-habitantes.html

3 ideias sobre “CONSTRUÇÃO DE USINA TERMELÉTRICA NA CIDADE, DEIXA AMBIENTALISTAS PREOCUPADOS! CONFIRA

  1. Orivaldo Da Silva

    Preocupante essa situação,principalmente que nesse momento do País estamos vendo o quanto os responsáveis por liberações e fiscalização são corruptos.
    Nós população devemos acompanhar muito de perto todo esse desenrolar e não nos deixarmos levar por entusiasmos.

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  2. Epicuro

    A história nos mostra exemplos péssimos dese tipo de empreendimento e os estudos técnicos isentos mais ainda: degradação ambiental, doenças, geração de trabalho pífia, favelização e por aí vai. Rejeite essa ideia pois há maneiras muito mais sábias, baratas e eficientes para melhorar a cidade e gerar bons empregos. O turismo seria o exemplo mais óbvio.
    https://secure.avaaz.org/po/petition/Ministerio_Publico_EstadualSP_e_Prefeitura_Municipal_de_Peruibe_Cancelem_o_licenciamento_e_projeto_de_Usina_Termeletrica/?aHAeFdb

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