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CONHEÇA PERUÍBE DE ANTIGAMENTE, COMO TUDO COMEÇOU. A ANTIGA TAPIREMA

A região de Peruíbe já era conhecida em Portugal, no ano de 1.494 quando foi feito o TRATADO DE TORDESILHAS, isso aconteceu na cidade espanhola de Valadolid, que se situava às margens do Rio Duero, ocorreu este fato entre Espanha e Portugal.

Desde 1.492 as expedições espanholas avançavam pelo continente da América do Sul. Quando o Rei de Portugal, D. Alfonso V e o Rei de Espanha, D.. Fernando, conseguiram a licença do Papa Alexandre VI (Rodrigo Borgia) a Bula da autorização para dividir as terras recém-descobertas da América do Sul, TRATADO DE TORDESILHAS, fixou as linhas divisórias ou MERIDIONAIS, fixando limites que separava a demarcação das duas colônias, a da Espanha e de Portugal, para a paz dos dois países.

mapa tratado de tordesilhas protugal espanha jornalperuibeCom a linha divisória feita, surgiu o MARCO POSSESSÓRIO que caía, em 1.494, nas terras de Peruíbe ou Tapirema. Desde aquele tempo esta região figurava nos MAPAS DOS NAVEGADORES. Com a chegada do Almirante Pedro Alvares Cabral em 1.500 foi levantada a primeira construção possessória.

O marco defensor de limites de Portugal contra o avanço espanhol coube à região de Peruíbe. Figurou desde 1.494 como LINHA DIVISÓRIA — MARCO POSSESSÓRIA. Com o passar dos anos esta linha divisória foi afastada até Iguape, depois, em sucessivas guerras, os portugueses expulsaram os espanhóis até o Rio Grande do Sul, onde permanece até os dias atuais.

Se Peruíbe nos tempos antigos serviu como linha divisória, entre Portugal e Espanha, isso demonstra que estas terras são as mais antigas, ocupadas e conhecidas, nas histórias da colonização do Brasil. Lógico que aqueles que traçaram a linha divisória e demarcaram o MARCO POSSESSIVO, não conheciam esta região pessoalmente, mas assim mesmo Peruíbe figurou nos mapas dos navegadores antigos como ponto limítrofe.

Logo que chegaram os milicianos portugueses iniciaram uma rústica fortaleza, ponto de defesa. Embora só constasse nos mapas dos navegantes antigos, em seu tempo, Peruíbe foi um lugar importante onde iniciou-se a colonização. Peruíbe tem seu .começo ligado aos portugueses, desde 1.505, quando aqui colocaram a primeira guarnição militar e começaram as construções em São Vicente. Peruíbe estava ligada à capitania daquele tempo e foi considerada, até 1.530, região agreste e selvagem, cheia de índios. As nossas praias consideradas benfazejas chamava-se naquele tempo Tapirema, “Palmeira ou País das Palmeiras”.

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Martim Afonso de Sousa

Vários aventureiros aportavam, desde piratas, todos vinham em busca de ouro e pedras preciosas, que podiam encontrar na região. Em 1.532, um judeu, novo cristão, chamado Pero Correia e seu companheiro também judeu cristão, Fernão Morais, vindos de Algarve, Portugal, integrando a comitiva de Martim Afonso, inicia-ram comércio com ouro. Suas expedições naqueles tempos eram famosas, pois eles capturavam índios e os vendiam como escravos. O comércio de escravos e do ouro, extraídos das montanhas além da Serra dos Itatins, deu muito lucro, navios isolados aportavam em Peruíbe e Guaraú, eram carregados de mercadorias que transportavam para a Europa. Foram os mais ricos daquele tempo, suas fortunas eram enormes, mas muito odiados pelos índios, que várias vezes tentaram matá-los.

Parece que nessa época, o antigo forte português estava abandonado, a milícia passou para Cananéia. Tudo leva a crer que foram os habitantes de São Vivente, junto com algum padre, que ampliaram a construção acrescentando uma capela e depósito de mercadorias. Os índios, em 1.530, tinham-se tornado ferozes, havia tribos indígenas que viviam entre a Serra e o Litoral: os Carijós, Caiumas, Tapanhumas, Misomonius, Guayanazes, Tamoios, Tupis Guaranis. Com a chegada dos Padres jesuítas, em 1.549, iniciou-se a verdadeira vida colonial. Aqui vieram, além dos portugueses, várias famílias de refugiados italianos vindos de Veneza. Chegaram em três navios dos irmãos Adorno, em Santos. Eram venezianos que tiveram de fugir quando seu pai o Doge foi morto. Os filhos se salvaram vindo com navios carregados de mercadorias para cá. O padre Leonardo Nunes, em 1.549, começou a primeira vila, com várias famílias. Ele fez a reforma do antigo forte, construindo escolas e capela mais ampliada. Deu-lhe o nome de Colégio de São João Batista, lá estudaram os filhos de índios, dos portugueses e outros que residiam perto do mar.

 

JoseAnchieta PADRE JESUITA JORNALPERUIBE

José Anchieta

A povoação mista; pescava e cultivava a terra mantendo escasso comércio. Em 1.550 estavam bem adiantadas as obras do Colégio, já funcionava a escola, onde se ensinava a religião, a leitura, a escrita e aritmética. Com a chegada de José de Anchieta, em 1.553, o Colégio já abrigava os MISSIONÁRIOS que ampliavam o ensino religioso em Peruíbe e o trabalho de catequese estendeu-se até Iguape e Cananéia. Contam os historiadores que Leonardo Nunes era um varão de grandes virtudes, cheio de afeto humano, homem valente, pobre e humilde, mas muito prudente, sendo grande pacifista dotado de espírito zeloso, mas sempre apressado. Ele corria de um lugar a outro, sem se importar com a chuva ou o frio. Os índios vendo-o locomover-se tão rápido, o apelidaram de ABAREBEBÊ, que queria dizer “padre que voa”, ou seja “Irmão do Vento”.

Temos citações registradas nas crônicas da Companhia de Jesus, Lisboa 1.865, páginas 39-42, registrado por Simão de Vasconcelos. O padre Leonardo Nunes entrou para a Companhia de Jesus em 6 de fevereiro de 1.549, neste ano veio para o Brasil, desembarcando em São Vicente, de onde passou para Peruíbe. Quando ingressou na ordem ele já era sacerdote consagrado e digno de exercer seu ministério de evange!izador. Em 1.553 ele deixa o Colégio de Rio João Batista em Peruíbe e segue para o norte em busca de novos missionários que chegavam de Portugal.

PADRE MANOEL DA NOBREGA JORNALPERUIBE

PADRE MANOEL DA NOBREGA

Em seguida retorna a São Vicente em companhia de Pero Correa, dono do navio que fazia o percurso de navegação até a Bahia, trazendo o futuro padre Anchieta. Em janeiro de 1.554 sobem a Serra do Mar juntos, deixando o Colégio entregue a missionários. Lá no planalto, com licença do superior iniciaram o primeiro povoado, de São Paulo. Retorna ao litoral e em 15 de junho de 1.554 embarca para o norte. Mas, durante a viagem, uma forte tempestade arremessa o navio ao fundo do mar, onde morreram todos os viajantes.

Assim desapareceu em 30 de junho de 1.554 o Abarebebê dos nossos índios, um grande humanista, até hoje lembrado. Deixando a semente da civilização pacífica, temos em Peruíbe as ruínas deste colégio fortaleza, que pode ser visitado a qualquer hora, atestando as origens primitivas do Marco Possessório.

Das ruínas de Abarebebê, homenagem ao padre voador, continuaremos a narrativa. Pero Correia e seus companheiros viviam em busca de índios, atravessaram as matas e foram obstáculos a toda e qualquer paz entre as muitas tribos indígenas. Por sua culpa, os índios viviam em guerra constante, todo o trabalho do pacificador Leonardo Nunes pouco valeu, ele fez todo o possível para regenerar e trazer para a Igreja o rico negociante Pero Correia, mas ele, em 1.553, após a aparição de Nossa Senhora nas matas do Guaraú, durante a caçada humana, converteu-se e depos as armas.

PADRE JESUITAS INDIOS JORNALPERUIBE HISTÓRIA DO BRASILComeçou a colaborar pacificamente com os missionários catequistas, ajudando-os a divulgar o Cristianismo entre os índios. Porque ele conhecia vários dialetos indígenas, foi intérprete em muitas ocasiões, ofereceu seus barcos e ajuda financeira para os missionários, que assim puderam ampliar o seu trabalho até o Paraná, construindo igrejas e escolas, avançando pelo sertão, aumentando as povoações. Vamos lembrar que Pero Correia, após haver trabalhado na evangelização, morreu crivado de flexas, nas terias de Iguape, pelos índios Guayanazes, que não esqueceram a perseguição e as capturas dos seus irmãos. Nesta época termina a colonização portuguesa de Peruibe. Do aldeamento de São João Batista, passou a chamar-se PERUIBE, nome de origem tupi-guarani, que dizem significar CAÇÃO BRAVO, hoje divulgado como TUBARÃO. Surgiu uma nova estirpe, os CAIÇARAS, ligando em casamento os estrangeiros e os índios. Não se sabe ao certo quando foi abando-nado o Colégio São João Batista, os levantes de índios entre as tribos inimigas, deu motivo de fuga. O cacique Tanigua, com suas gentes convertidas, defendeu por certo tempo o Colégio, mas eles também tiveram que se retirar; os Guayanazes vindos pela serra de Cubatão atacaram o aldeamento dos pacíficos Carijós, que tiveram de fugir mata adentro em busca de refúgio. Os aventureiros exploraram a Serra dos Itatins, tirando ouro e pedras preciosas que enviavam para a Europa. Peruíbe ficou muito tempo abandonada sem referências certas. Entregue a aventureiros, exploradores e até a piratas e traficantes de escravos negros, trazidos da Africa. Usaram as praias do Guaraú, como local de desembarque clandestino para as suas mercadorias, que levavam em canoas pelos rios e picadas na mata, até as fazendas e até São Paulo, onde vendiam por preços altíssimos. Passou o tempo, no começo deste século tudo foi encampado pelo Governo do Estado e pela direção federal, o município recebeu doação do Estado, tendo-se então retomado o progresso de Peruíbe, cresceu, tornou-se município como uma cidade próspera e bem administrada, passou a estância balneária, uma das mais famosas cidades do Litoral Sul, por possuir o ar purificante, com clima ozonífero. O ozônio natural é gás incolor, descoberto em 1.780. Este gás sobe da nossa montanha todas as manhãs em forma de neblina branca, parece ligeira névoa, fortificando seus moradores, dando bem estar a todo o corpo.

Uma cidade importantíssima em nossa História Brasileira,

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JORNAL PERUÍBE: Uma viagem pela terra da “Eterna Juventude”…

Fonte; http://www.geocities.ws/rsmaike/peruibe.html

 

2 ideias sobre “CONHEÇA PERUÍBE DE ANTIGAMENTE, COMO TUDO COMEÇOU. A ANTIGA TAPIREMA

  1. Sofia

    Adorei ver essa matéria. Uma abordagem totalmente diferente de tudo que vi, até agora, como história de Peruíbe. Estou fazendo pesquisa para meu blog e utilizarei, com a permissão de vcs e citando a fonte (com muito prazer!), o conteúdo aqui publicado.

    Parabéns, abraços.

    Sofia Golfetto Silva
    conhecendoperuibe.blogspot.com

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